
Questionada se gosta de ser feminina, Patrícia Pillar diz: “às vezes me incomoda, o mundo está muito machista e as mulheres também estão ficando”.
"Todas as situações descritas sobre o cotidiano da mulher, por uma mulher, é para explicitar o quanto o olhar masculino e, a conseqüente sociedade disfarçadamente machista, está pouco apurado às questões femininas, desde a mais vil grosseira e invasão até as sutis indiferenças referentes às necessidades do gênero feminino”. (Larissa Caetano)
“Todo o dia ouve-se a mesma coisa: superar o machismo e protagonizar a mulher”. Isso acaba nos remetendo a um outro problema: o feminismo, ou seja, com a idéia de exterminar o machismo, nos esquecemos que levantamos a bandeira do feminismo. A mulher nem sempre foi tratada na história da humanidade como submissa do homem. Em algumas sociedades, a mulher exercia o caráter matriarcal de defender a comunidade/tribo em que estava inserida. Isso nos faz refletir que existiram momentos onde a mulher exercia a chefia da comunidade. Mas, com o início das religiões monoteístas, as sociedades passaram a identificar a semelhança entre Deus (Ser Divino e Supremo) com o homem-masculino (Ser humano).
O papel da mulher passou então única e exclusivamente para a procriação - o que eu como mulher acho magnífico. Com estes dados históricos podemos perceber a visão da mulher na religião judaica (principalmente, com a criação do Código das Leis) e depois no cristianismo, bem como a visão da mulher nos escritos gregos antigos, onde filósofos como Platão e Aristóteles, entendem que a mulher, o escravo e as crianças são como extensões do senhor (pai), sendo o senhor o único considerado cidadão da polis pela sociedade - Aqui seria justo abrir um parêntese e dizer, que claro que o mundo teve o homem como o símbolo maior, pois ele era quem tinha a responsabilidade de sair em busca do provento do lar. São essas duas visões que permanecem na história e que se tornaram presentes no inconsciente popular.
Embora alguns insistam em dizer que a mulher já vem sendo inferiorizada inicialmente pela religião que sempre viu a mulher como símbolo da tentação (a Eva que tenta Adão a comer o fruto do paraíso), associada à serpente que tenta o homem em seus mais íntimos desejos - um tremendo absurdo, pois acho que aqui poderíamos usar tal fato como poder. Só o que se lê é que a mulher, bem antes da era cristã, durante toda a Idade Média, até metade do século XX, não havia conquistado seu espaço de direito na sociedade. Pode ser que a mulher realmente em uma grande maioria das vezes sofreu repressões e era tratada de maneira diferente, mas um dia resolveu pedir igualdade de direitos - e os deveres? Esse é o ponto.
Estamos exigindo direitos e esquecendo dos deveres. Hoje se o homem divide a conta do restaurante, há mulheres que se sentem ofendidas. Se os ex dizem a elas para irem à luta, acham que eles querem se livrar da "pensão" - que elas tentam extorquir ao máximo deles: médicos, dentistas, calçados, roupas, escola, remédios, brinquedos, entre outras coisas. É ai que acho que nós mulheres nos perdemos, reclamamos de um mundo machista, mas onde nós mesmas exigimos que eles tenham atitudes de "macho". Eu não acredito que o mundo seja assim tão machista, penso que temos aquilo que merecemos e escolhemos. Esse é o mundo que nós mesmas criamos. Calma! Eu explico.
Vamos partir do princípio de que somos as responsáveis pela procriação e pela educação da prole, pois os pais - os machos - estão na rua, trabalhando para sustentar sua família. Sendo assim, estamos com o poder de mudança, basta que para isso, eduquemos nossos filhos homens da mesma maneira que fizemos com nossas filhas. Ensinando aos meninos que as meninas são frágeis sim, meigas e lindas. Mas que assim como elas, eles também têm sentimentos e podem expressá-los. Que eles podem chorar, podem lavar louças, limpar a casa, cuidar dos filhos, perderem noites de sono... Enfim que eles podem fazer tudo que uma mulher faz e continuar sendo aquele homem maravilhoso, sem deixar e ser “macho” e por quem um dia uma mulher irá se apaixonar.
Eu quero dizer com isso, que nós mulheres exigimos demais por uma sociedade menos machista, enquanto nós somos a principal responsável por isso, pois criamos os nossos filhos, exatamente como nossas tataravós: "Amarrem suas cabritas que o meu bode está solto". Construímos assim um mundo machista e nos sentimos no direito de reclamar deles – os homens. E por isso, enquanto não nos dermos conta de que estamos alimentando o mundo machista e enquanto estivermos alimentando o monstro, ele jamais será vencido. Por isso, vamos deixar os homens fora disso e vamos assumir a nossa meia culpa – ou será culpa total? A responsabilidade de toda essa história é nossa. Se quisermos um mundo menos machista, façamos a nossa parte!!