sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

"Crônica da Loucura"


Recebi um texto hoje que tem tudo a ver com o post anterior "Que rei sou eu?". Fala de como nos vemos e como somos capazes de PRÉ julgar as pessoas. Leia o texto e tire suas próprias conclusões.

Crônica da Loucura
Luis Fernando Veríssimo


O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou. Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal. O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos:


Na última quarta-feira, estávamos:


1. Eu

2. Um crioulinho muito bem vestido,

3. Um senhor de uns cinqüenta anos e

4. Uma velha gorda.


Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.


(2) O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba"? Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.


(3) E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.

(4) Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.


Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista.
Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera.

Ele ri... Ri muito, o meu psicanalista, e diz:

- O Ditinho é o nosso office-boy.

- O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
- E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.

- "E você, não vai ter alta tão cedo...”.


P.S: Cuidado com os pré julgamentos, mas principalmente com a língua!!


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

"Que rei sou eu?"


Certa vez me disseram que na verdade somos três pessoas:

1- Quem nós achamos que somos,
2- Como as pessoas acham que somos
3- E como realmente somos.

Diante disto fico imaginando se realmente nos conhecemos, se sabemos exatamente quem somos. Há dias em que acordo, me olho no espelho e não me reconheço. Mas confesso que me esforço ao máximo para ser o mais transparente possível, afinal acho que essa é a parte legal do ser humano. Se conseguirmos essa transparência e autenticidade, com certeza as pessoas irão nos ver de maneira muito clara. Sem precisar ficar nos rotulando e achando o que quer que seja de nós. Por outro lado, quem nunca olhou para alguém, fez um PRÉ julgamento e depois com o tempo viu que não fazia o menor sentido o que pensava daquela pessoa? A vida é assim mesmo, rótulos e PRÉ conceitos, mais o importante diante destas três pessoas é o que realmente somos. Talvez nunca iremos nos conhecer totalmente, temos um universo interior muito vasto, que é quase impossível desvendar. Mas o pouco que se consiga entender, cada um com sua particularidade, é um começo. Porém o que sei ao certo é que somos os causadores das nossas tristezas, das nossas alegrias... Não podemos apontar nosso dedo e culpar nada e ninguém por nenhum fracasso ou sofrimento, já que quando as coisas dão certo e temos sucesso, apontamos para nós como os principais responsáveis. As respostas estão ai, todos os dias, basta que saibamos ler nas entrelinhas, basta que saibamos entender as sinalizações, afinal somos sinalizados a todos os momentos. Ninguém é vitorioso ou derrotado. Nem é tão mau ou tão bom. O bem e o mal existem, claro que sim. Mas nada é por acaso, tudo é um grande aprendizado, precisamos apenas administrar os fatos. Eu sou eu e minhas consequências. Tudo tem um propósito, a nós cabe apenas trabalhar em prol da nossa felicidade, assim estaremos contribuindo para a felicidade dos outros. Por isso, não importa como eu me vejo, como as pessoas me veêm, o importante é QUEM REALMENTE SOMOS.



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

"Redenção"


Acabei me rendendo aos apelos do coração e deixei de lado aquele que durante muito tempo foi meu compromisso fiél. Bem sei que a gente cresce, amadurece, e nos caminhos da vida vai tomando outras decisões que naquele momento nos parecem mais acertada. E eu acertei. Deixar de lado o carnaval de Floripa esse ano, não me fez nenhum mal ao coração, pelo contrário, fiquei com um aperto grande nele - o coração - quando vi essa Ilha maravilhosa congestionada no sábado de carnaval.

Eu devo confessar que me senti um estranho fora do ninho. Não consegui me ver como parte deste pedaço de terra. Fiquei irritada, inojada e fiquei muito triste... Não, não é exagero. É de partir qualquer coração, muito mais que um amor não correspondido. Um lugar tão mágico, virar um palco de malucos desenfreiados. Não tenho nada contra o carnaval, pelo contrário, gosto muito, mas acho que está mais que na hora das autoridades - se é que tem alguma - parar com a venda de um lugar maravilhoso, turístico, Ilha da magia, quando não temos infra estrutura para comportar milhares e milhares de visitantes que se aglomeram nesta pequena e santa ilha. Acho que está na hora de parar e pensar. Que cidade é essa, que os moradores precisam sair, para dar vazão e entrada aos turistas??

Pois foi exatamente isso que fiz, sai da minha cidade, onde todos dizem ser o melhor lugar do Brasil, fui ali para o lado, buscar a tranquilidade de uma cidade vazia, sem nenhum fluxo rodoviário e nem mesmo filas quilométricas que te fazem perder a calma, a paciência e até mesmo a vontade de sair de casa para fazer qualquer coisa. Mas ali no estado ao lado, meu carnaval foi perfeito: amigos, comida, passeios e amor. O que mais o meu coração apertado poderia querer? Só mesmo chegar em casa e ver que a sua escola de samba, mais uma vez foi campeã. Parabéns Consulado do Samba, que com seu enredo contagiou a galera, fazendo a arquibancada tremer. Quanto ao carnaval na Bela e Santa Catarina, ainda sem previsões de retorno... Ano que vem, quem sabe?

Em tempo:
O Carnaval é um período de festas regidas pelo ano lunar no Cristianismo da Idade Média. O período do Carnaval era marcado pelo "adeus à carne" ou "carne vale" dando origem ao termo "Carnaval". Durante o período do Carnaval havia uma grande concentração de festejos populares. Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes. O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspirariam no Carnaval francês para implantar suas novas festas carnavalescas.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

"Sexta Feira 13"

Há pouco me dei conta de que hoje é sexta feira 13!!

Considerado por muitos o dia do azar, eu já posso dizer que é meu dia de sorte. Eu sempre gostei dos gatos pretos, nunca tive medo de escadas, nem de passar por baixo delas... E para falar bem a verdade não conheço ninguém que tenha sofrido alguma influência maligna em razão a esta data. Mas você sabe de onde vem esta crença de que sexta feira 13 é maldita?

Uma Sexta Feira 13 ou seja, uma Sexta Feira no dia 13 de qualquer mês, é considerada popularmente como um dia de azar. O número 13 é considerado de má sorte. Na numerologia o número 12 é considerado um número de coisas completas como 12 meses no ano, 12 tribos de Israel, 12 apóstolos de Jesus ou os 12 signos do zodiaco. Já o 13 é considerado um número irregular. A sexta-feira foi o dia em que Jesus foi crucificado e também é considerado um dia de azar. Somando o dia da semana de azar (sexta) com o número de azar (13) temos o mais azarado dos dias. Esta superstição pode ter tido origem no dia 13 de Outubro de 1307, uma sexta feira, quando a Ordem dos Templários, foi declarada ilegal pelo rei Filipe IV de França; os seus membros foram presos simultaneamente em todo o país e alguns torturados e, mais tarde, executados por heresia.Outra possibilidade para esta crença está no fato de que Jesus Cristo provavelmente foi morto numa sexta-feira treze, uma vez que a Páscoa judaica é celebrada no dia 14 do mês de Nissan, no calendário hebráico. Recorde-se ainda que na Santa Ceia sentaram-se à mesa treze pessoas, sendo que duas delas, Jesus e Judas Iscariotes, morreram em seguida, por mortes trágicas, Jesus por execução na cruz e Judas provavelmente por suicídio. Antes disso, porém, existem versões que provêm de duas lendas da mitologia nórdica. Na primeira delas, conta-se que houve um banquete e 12 deuses foram convidados. Loki, espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e armou uma briga que terminou com a morte de Balder, o favorito dos deuses. Daí veio a crendice de que convidar 13 pessoas para um jantar era desgraça na certa. Segundo outra história, a deusa do amor e da beleza era Friga (que deu origem a frigadag, sexta-feira). Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, Friga foi transformada em bruxa. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o demônio. Os 13 ficavam rogando pragas aos humanos.

Agora se você acredita que sexta feira 13 é o dia do azar, aqui vai uma dica de simpatia para ter sorte:

Numa sexta-feira treze de qualquer mês, faça esta simpatia usando roupas brancas, inclusive as roupas de baixo. Pegue treze velas brancas, treze flores da mesma cor e treze contas de lágrima-de-nossa-senhora e coloque tudo dentro de uma bolsa ou sacola inteiramente branca. Vá até uma encruzilhada, exactamente ao meio-dia, e lá coloque as treze velas formando um círculo e ao lado de cada vela uma flor. Entre nesse círculo e acenda as velas. Ao acender cada uma, coloque uma das treze contas ao lado da flor e diga o seguinte em voz alta:

Primeira vela: Peço permissão ao Divino

Segunda vela: Para o meu trabalho iniciar

Terceira vela: Com a força do Pai Eterno

Quarta vela: Com a bênção de Oxalá

Quinta vela: Aqui eu chamo a boa sorte

Sexta vela: E despacho todo azar

Sétima vela: Assim seja para sempre

Oitava vela: Sempre na paz do Senhor

Nona vela: Estou com Deus e Nossa senhora

Décima vela: O azar eu mando embora

Décima segunda vela: O treze é meu amigo

Décima terceira vela: E a boa sorte traz comigo.

Pegue as contas todas e guarde-as dentro do bolso. Em seguida faça o sinal da cruz para encerrar. Deixe as velas queimando, saia do círculo e vá embora. Não olhe para trás. Guarde essas contas consigo, num saquinho de tecido vermelho. Serão sua proteção para sempre contra o azar.

Boa sorte e coragem!!!
Porque fazer essa simpatia numa sexta feira 13, na encruzilhada, você vai precisar de muita coragem.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

"Antes que as cortinas se fechem"



Abrem-se as cortinas, inica-se um novo espetáculo. Tudo novo para a platéia que anciosa esperava este momento e para o protagonista que também não sabe o que lhe espera. Como numa explosão de sentimentos, as luzes iluminam e mostram todo o cenário, assim como aquele que será o grande "ator" do momento. E enquanto novidade, o espetáculo é assistido, aplaudido e até mesmo a platéia pede bis... E o espetáculo continua.

Algumas pessoas entram, outras saem mesmo antes de o espetáculo terminar. Procuram um lugar na platéia e atentamente assistem a desenvoltura no palco. Numa mistura de emoções, alegrias, tristezas, o "ator" consegue fazer com que o espetáculo siga em frente, pois sabe que não pode parar. E o espetáculo continua. É ali, naquele imenso palco, que o "ator" consegue desviar a atenção da platéia em relação aos problemas. E ali está apenas um grande artista, de força e coragem. Que consegue conduzir a cena, de maneira maestral e invejável. E o espetáculo continua.

No decorrer do espetáculo, aos poucos o enredo vai se desenrolando, desvendando uma história que não pode ser reescrita, pelo menos não naquele momento. É preciso comprender que existe um script e ele precisa ser seguido. E o espetáculo continua. As mudanças são as vezes leves, as vezes bruscas. De uma simples maquiagem, uma máscara de papel ou gesso. Uma roupa ou um adereço. Chegando a uma explosão de gritos, como um misto de sentimento: dor, raiva, tristeza, alegrias e também um profundo silêncio. E o espetáculo continua.

E o espetáculo continua durante anos em cartaz - às vezes não. Mas aquela sensação da estréia se perde durante o tempo, durante o caminho. Os sentimentos de euforia, o grito de ansiedade, vão dando lugar a certeza do que lhe espera, não existem mais tantas surpresas. O "ator" já sabe o que vem depois, por que o depois é sempre o mesmo, tornou-se previsível e porque a história sempre se repete. E o espetáculo continua. Protagonistas da própria história, sem direito a ensaios... Chorar e rir, gritar e silenciar, falar e calar, caminhar ou simplesmente parar. Correr atrás de prejuízos antes que a cortina feche e antes que a peça termine... Sem aplausos... Sem realizações. Não há dor, nem pesar, nem medo, nem insegurança. Não há lamento ao que já ficou na outra página - passado. Por que a vida é um livro que lemos todos os dias. O passado é a página que foi lida, o presente é a pagina atual de leitura e o futuro está nas próximas páginas. Quanto ao final... Esse é uma incógnita. Mas vale saber que ainda existe uma platéia firme que admira e torce pela felicidade... E que se entristece com a tristeza do espetáculo e do "ator". E o espetáculo continua.

A segurança no palco, é traida pelos encontros e desencontros... Vitórias e fracassos. Mas sempre com a certeza de que o show tem que continuar. Ninguém se importa se trocarão os atores, pois o cenário continua o mesmo. Tudo passa... Vem as dores e sofrimentos e como frutos, o crescimento e amadurecimento. E esse talvez seja o "grande momento" do espetáculo. O momento de resgatar o que ficou, o momento de avaliar e se possível fazer sempre melhor, ser o melhor. Antes que o espetáculo termine... Antes que termine para sempre.

As cortinas do espetáculo se fecham... Fecham-se também os olhos do "ator" para o espetáculo da vida. E o espetáculo continua... Resta apenas um corpo inerte diante de uma platéia perpléxa, com aplusos que não mais poderão ser ouvidos. E o espetáculo continua. Pelo menos para os que ficarão na platéia!!





segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

"O poço"


Buscando algumas respostas as vezes nos deixamos levar e acabamos por parar no fundo do poço. Um poço escuro chamado: EU. Não sei ao certo como se vai parar ali, mas sei que muitas vezes se permanece por longos períodos. Não existe bom ou ruim, certo ou errado, neste caso. Talvez seja uma maneira de punição ou apenas para livrar-se de alguns intraves, molduras, rótulos e até mesmo tabus. Descobre-se que nada é nosso, tudo muda a todo instante. E as coisas mudam a cada segundo, querendo ou não, estando ou não, participando do mundo lá fora ou não. Mas existem apostas, joga-se as fichas aqui ou ali. Pode ser a escolha mais acertada - ou não. Mesmo errando, são feitas as apostas e o resultado - certo ou errado, só sairá lá na frente. E por escolha "o poço" continua sendo habitado, ali não tem frio, não tem medo, pelo contrário, é proteção. Talvez seja esse o encanto do poço - proteção. E viver ali, é tranquilo, não existe divisão de intimidade, de tristeza, de choros, e nem tão pouco de saudades.

Talvez existirão muitas perdas ou quase nada, o tempo continua a girar, embora possa parecer que o relógio tenha diminuido a velocidade dos ponteiros. Ali o tempo não passa, mas isso não faz diferença. Mas de repente, ao olhar para cima, percebe-se que a porta do poço está aberta e que o céu está lá, ele continua lindo, muito azul e que o sol, mesmo na sua ausência continuou a brilhar. Ao dar-se uma chance - uma segunda chance - será possível escalar as paredes e ver o que tem de novo e o que já virou passado. E nesta busca pela liberdade, não sobram amarras e nem algêmas. A segunda chance bateu na porta e trouxe num sopro de esperança o AMOR. E o amor não obedece a razão, acontece por empatia, por cumplicidade, por conjução estelar. Ama-se pelo cheiro, pelo jeito de rir, pela paz que esse outro pode trazer ou pela grande tormenta que pode provocar. Ama-se pela desordem que coloca na nossa vida, uma desordem boa. Ama-se pelo tom de voz, pelas diferenças - você gosta de praia ele tem alergia a sol - e pelas referencias - faz e diz sempre a coisa certa no momento certo. Ama-se pelo jeito de beijar, pelo jeito de abraçar e até mesmo pelo jeito de provocar e brigar. Ama-se pelo toque da mão no pescoço, pelo abraço, pela mão na cintura, pelo olhar de atenção, pelo telefonema e pelo cuidado e preocupação. Ama-se pelo bom humor, pelo sexo, pelas noites dormidas juntos, pelas semanas longes que acabam no reencontro. Ama-se pelo sentimento. Ama-se pelo fato do amor não ter definições. Ama-se o SER que transforma a vida, fazendo com que o poço seja apenas uma lembrança muito distante que não combina em nada com a situação atual. Não existe explicação e talvez nem precise de nenhuma delas. As forças são as mesmas- indo ou vindo. O amor é o mesmo - amando ou sendo amado. Sentimentos se confundem e se encontram - mesmo o de amor e ódio.

Feliz o HOMEM que pode chamar uma MULHER de sua... Não pelo sentimento de POSSE, mas por ela não querer ser de mais NINGUÉM.

Feliz a MULHER que pode chamar um HOMEM de seu... Não pelo sentimento de POSSE, mas pela certeza de que o amor dele é seu e de mais NINGUÉM.